from Faucet Repair

5 March 2026

Passed lots of street preachers on my way to poke around the dollar stores in Wood Green today. On my way home, an angry-looking man (vein bulging from a red bald head) emerged from a building with a bag of birdseed, was a few paces ahead of me almost the entire way back. When we got to Wood Green station, he made a beeline for a man monologuing about Jesus through a handheld microphone and then emptied the entirety of the birdseed in a circle around him. The angry man shouted obscenities as pigeons descended on the feed in a big gray flurry around the preacher, who just kept on preaching.

 
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from Kuir - cultura e inspiração Cuir

Como a masculinidade hegemónica produz os corpos que contam

A masculinidade hegemónica não descreve um tipo de homem. Descreve uma máquina. Um regime de produção que decide, em cada contexto, que corpos são reconhecidos como legítimos, que vidas merecem protecção e que existências podem aparecer no espaço público sem risco de violência. Compreender isto — que a masculinidade dominante não é uma identidade mas um aparelho — é o ponto de partida deste caderno.

Este texto abre o segundo caderno do Kuir Cuir. O primeiro percorreu a repressão e a resistência cuir do pós-guerra a Stonewall. Este segundo caderno, Que corpos contam?, propõe uma cuirografia de masculinidade e poder — uma escrita situada, politicamente comprometida, que interroga como a hegemonia masculina fabrica hierarquias entre corpos, entre vidas, entre formas de existir. Os textos que se seguem nasceram de um trabalho académico no âmbito de um mestrado em Estudos Interdisciplinares de Género e Sexualidade, mas precisavam de outra língua e de outra casa. A armadura institucional protegia o argumento e sufocava-o ao mesmo tempo. Este caderno é o gesto de o libertar — não para o simplificar, mas para o devolver ao lugar onde o pensamento respira melhor: nas margens.

Cada texto é acompanhado de uma secção de leituras que situa as referências mobilizadas; no final do caderno, uma bibliografia comentada reúne o conjunto das filiações intelectuais que sustentam esta cuirografia.

Fotografia de Julee Juu (2026) – Uso gratuito sob a Licença da Unsplash

A hierarquia e o seu exterior

A teoria das masculinidades, tal como Raewyn Connell a sistematizou na sua obra fundadora Masculinities, descreve a existência de uma hierarquia relacional entre diferentes formas de ser homem. No topo, a masculinidade hegemónica — não necessariamente a mais comum, nem sequer a mais visível, mas a culturalmente dominante: aquela que organiza o consenso sobre o que um homem deve ser, como deve agir, que desejos pode ter e que corpo deve habitar. A hegemonia não se impõe apenas pela força. Funciona por liderança, por persuasão, por aquilo que se apresenta como óbvio e que, por parecer óbvio, deixa de ser questionado. É poder tornado legítimo — ou, como sintetizam Richard Howson e Jeff Hearn, autoridade que resulta da fusão entre poder e legitimidade.

Abaixo da hegemonia, Connell identifica outras posições. As masculinidades cúmplices são aquelas que não encarnam o ideal hegemónico mas beneficiam dele — o dividendo patriarcal, como lhe chama Connell, distribui-se mesmo entre homens que nunca exercem directamente a dominação. A cumplicidade é silenciosa, confortável, quase invisível: é o homem que não agride mas que lucra com um sistema que agride por ele. As masculinidades subordinadas ocupam o polo oposto — são aquelas que a hegemonia empurra para baixo porque ameaçam a sua coerência. A masculinidade gay é o caso paradigmático: ao desligar masculinidade de heterossexualidade, expõe a contingência daquilo que a hegemonia apresenta como natural. E há ainda as masculinidades marginalizadas, estruturadas não apenas por género mas por raça, classe e nacionalidade — masculinidades que, mesmo quando heterossexuais, são excluídas do centro porque os corpos que as habitam são lidos como excesso, risco ou ameaça.

Esta hierarquia não é estática. A hegemonia reconfigura-se, adapta-se, absorve seletivamente aquilo que lhe convém. Masculinidades híbridas, como lhes chamam alguns autores, incorporam práticas cuir, estéticas femininas ou sensibilidades progressistas sem abdicar do privilégio estrutural — uma flexibilidade que fortalece a hegemonia precisamente por a fazer parecer mais aberta do que é. Mas o ponto decisivo, aquele que Connell e os seus leitores mais atentos sublinham, é que a masculinidade hegemónica se define sempre em relação ao seu exterior. A hegemonia precisa de masculinidades subordinadas e marginalizadas para se estabilizar. Sem o abjeto, não há legítimo. Sem a fronteira, não há centro. O exterior não é um resíduo do sistema — é a sua condição de funcionamento.

Isto significa que a exclusão das masculinidades cuir, racializadas ou de classe popular não é uma falha da hegemonia. É o seu modo de operar. A fábrica não produz apenas o homem legítimo — produz, ao mesmo tempo, os corpos que precisam de ser excluídos para que a legitimidade se mantenha. E é esta produção simultânea do centro e das margens que faz da masculinidade hegemónica um regime de poder e não apenas uma preferência cultural.

Da norma à fábrica: o deslocamento ontológico

Dizer que a masculinidade hegemónica é uma norma cultural, um regime simbólico, uma estrutura relacional — tudo isto é verdadeiro, mas ainda não é suficiente. A leitura de Connell descreve com precisão como a hierarquia se organiza, mas tende a manter a análise no plano do discurso, das representações e das práticas culturais. É aqui que este caderno propõe um deslocamento — não para negar a dimensão cultural, mas para a radicalizar.

O realismo agencial de Karen Barad oferece as ferramentas para esse gesto. Para Barad, matéria e significado não existem como esferas separadas que depois se relacionam. Estão inextricavelmente fundidos: aquilo a que chamamos realidade é produzido por práticas material-discursivas que são simultaneamente físicas, institucionais, tecnológicas e normativas. Não há, de um lado, os corpos, e do outro, as normas que os classificam. Há práticas que produzem certos corpos como inteligíveis e outros como abjectos, certas vidas como reconhecíveis e outras como descartáveis. A esta produção, Barad chama materialização — e é um processo contínuo, situado e historicamente contingente.

Aplicar isto à masculinidade hegemónica muda radicalmente o que vemos. A hegemonia deixa de ser apenas um conjunto de ideias sobre o que um homem deve ser. Torna-se um regime de materialização: um aparelho que, através de práticas concretas — exames médicos, documentos legais, formulários administrativos, procedimentos policiais, critérios de elegibilidade, protocolos psiquiátricos —, produz alguns corpos como masculinos legítimos e outros como desviantes, insuficientes ou inexistentes. Estes aparelhos não se limitam a aplicar categorias a corpos que já existem. Participam na produção dos próprios corpos e das próprias categorias. O género não preexiste às práticas que o mobilizam — emerge delas.

Judith Butler já nos tinha mostrado que o género é um efeito performativo. A repetição de normas heteronormativas, a vigilância dos comportamentos, a sanção da dissidência — tudo isto produz a aparência de uma essência natural onde só há história e poder. Corpos inteligíveis e sujeitos reconhecíveis são o resultado dessa repetição, não a sua causa. O contributo de Barad radicaliza este gesto de Butler: não se trata apenas de performatividade discursiva, mas de materialização no sentido forte do termo. As normas de género não apenas regulam ou representam diferenças — participam activamente na produção material dessas diferenças. Quando um protocolo médico exige que uma pessoa trans apresente uma narrativa coerente de disforia para aceder a tratamento hormonal, não está apenas a aplicar uma norma — está a fabricar o sujeito de género que pode existir. Quando um formulário oferece apenas duas opções de sexo, não está apenas a simplificar — está a produzir um mundo em que certas existências não cabem. Quando a polícia lê um corpo racializado como ameaça e um corpo cuir como anomalia, não está apenas a interpretar — está a materializar hierarquias que se inscrevem na carne de quem as vive.

É esta passagem — da regulação à produção, da norma à fábrica — que distingue a leitura que este caderno propõe. A masculinidade hegemónica não representa diferenças: produz corpos como inteligíveis ou abjetos, vidas como reconhecíveis ou descartáveis, existências como legítimas ou impossíveis. E produz tudo isto não através de uma ideologia abstracta, mas através de aparelhos concretos que operam nas instituições, nas tecnologias e nas práticas quotidianas.

A dimensão epistemológica deste regime é igualmente decisiva. Donna Haraway, no seu ensaio fundador sobre conhecimentos situados, mostrou que todo o conhecimento é parcial, localizado, produzido a partir de corpos e posições sociais concretas. Não existe um olhar de lugar nenhum. A pretensão de objectividade universal — aquilo a que Haraway chama o truque divino — é sempre o privilégio de quem pode esconder a sua posição, de quem não precisa de se nomear porque se confunde com o padrão. O olhar que se diz neutro é, quase sempre, o olhar branco, cisgénero, heterossexual, de classe média, nacional — aquele que nunca precisa de justificar a sua perspectiva porque a tomou como sinónimo de verdade.

Isto tem consequências directas para a análise da masculinidade hegemónica. Os dados que temos sobre discriminação, as políticas públicas que dizem combatê-la, os enquadramentos jurídicos que prometem igualdade — tudo isto é produzido a partir de posições situadas. Quando um estudo mede a discriminação com categorias estanques — homossexual, heterossexual, homem, mulher —, está a operar a partir de uma ontologia que já decidiu o que existe e o que não existe, que experiências são legíveis e quais escapam ao enquadramento. Quando uma política pública assume que a igualdade formal resolve a exclusão material, está a olhar a partir de uma posição que nunca sentiu a distância entre a lei e a vida. Reconhecer a localização do olhar não é um exercício académico — é uma condição de honestidade intelectual e de responsabilidade política.

Desmontar a máquina

Integrar estas perspectivas — Connell, Barad, Butler, Haraway — permite compreender que a masculinidade hegemónica é mais do que uma norma cultural ou um regime simbólico. É um regime onto-epistémico-material: produz corpos, organiza saberes e distribui desigualmente o acesso à existência reconhecida. Quando dizemos que certos homens são subordinados ou marginalizados, não estamos apenas a descrever posições numa hierarquia de prestígio. Estamos a nomear os efeitos concretos de uma fábrica que precisa de produzir o abjeto para estabilizar o legítimo, que precisa de fronteiras para se definir, e que opera através de instituições, tecnologias e práticas quotidianas que fazem parecer natural aquilo que é histórico, contingente e politicamente produzido.

E é precisamente aqui que a análise muda de natureza. Se a masculinidade hegemónica fosse apenas uma norma cultural, bastaria mudá-la com educação, representação e boa vontade. Mais inclusão nos media, mais formação nas escolas, mais campanhas de sensibilização — e o problema estaria resolvido. Mas se a hegemonia é um regime material — se produz corpos, se se inscreve em instituições, se molda os próprios instrumentos com que a medimos —, então combatê-la exige outra coisa. Exige desmontar os aparelhos que a fabricam: os protocolos médicos que decidem quem é homem suficiente, os formulários que apagam existências não-binárias, os sistemas policiais que lêem raça e género como ameaça, os critérios de elegibilidade que excluem quem não cabe nas categorias dominantes. Exige interrogar quem produz conhecimento sobre género, a partir de que posição, com que instrumentos e ao serviço de que interesses. Exige recusar a neutralidade como disfarce do privilégio — porque a neutralidade, quando estamos perante um sistema que produz vidas descartáveis, é sempre cumplicidade.

E exige, sobretudo, partir dos corpos que a hegemonia descarta. Não por romantismo nem por altruismo, mas por rigor. Porque é nas margens — nos corpos que a fábrica rejeita — que se vê com mais clareza como a máquina funciona. Quem nunca precisou de provar que é homem não sabe como a masculinidade é produzida. Quem nunca sentiu o olhar policial sobre a sua pele não sabe como a raça se materializa. Quem nunca ficou de fora de um formulário não sabe o que significa ser ontologicamente excluído. O conhecimento que emerge desses corpos não é subjectivo nem anedótico — é situado, material e politicamente indispensável.

Os textos que se seguem neste caderno fazem exactamente esse percurso. Partem dos monstros que a masculinidade hegemónica precisa de criar, passam pela igualdade que o Estado português celebra enquanto vidas cuir ficam de fora, detêm-se num corpo negro e cuir que intensifica a sua dissidência como escudo contra a violência racial, e terminam com a pergunta sobre quem pode conhecer a discriminação — e a partir de que carne. A fábrica da masculinidade é o primeiro passo: nomear a máquina. Os seguintes tratam de a desmontar.

Leituras

Raewyn Connell, Masculinities (1995, 2.ª edição 2005). A obra fundadora da teoria das masculinidades, que introduziu os conceitos de masculinidade hegemónica, subordinada, cúmplice e marginalizada. Connell mostra que a masculinidade não é um atributo individual mas uma estrutura relacional de poder — entre homens e entre homens e mulheres. Sem este livro, o campo não existiria como o conhecemos. Leitura indispensável para qualquer análise crítica de género que recuse essencialismos.

Karen Barad, Meeting the Universe Halfway: Quantum Physics and the Entanglement of Matter and Meaning (2007). Barad propõe o realismo agencial, uma onto-epistemologia que recusa a separação entre matéria e discurso e defende que a realidade é performativa — produzida por práticas material-discursivas e não dada à partida. Uma ferramenta poderosa para compreender que as desigualdades de género não são apenas representadas, são materializadas em aparelhos concretos. Livro denso e exigente, mas que recompensa cada página.

Judith Butler, Problemas de Género: Feminismo e Subversão da Identidade (1990, tradução portuguesa Orfeu Negro, 2023). Butler argumenta que o género é um efeito performativo — produzido pela repetição de normas e não pela expressão de uma essência interior. A sua crítica à naturalização do sexo e do género fundou a teoria cuir e continua a ser uma referência incontornável. A tradução portuguesa permite finalmente ler este texto fundamental na nossa língua.

Donna Haraway, Situated Knowledges: The Science Question in Feminism and the Privilege of Partial Perspective (1988). Neste ensaio seminal, Haraway defende que todo o conhecimento é parcial, localizado e produzido a partir de posições concretas. A objectividade não é a vista de lugar nenhum — é a responsabilidade de assumir de onde se olha. Leitura essencial para quem quer pensar criticamente a produção de saber sobre género e sexualidade, e para quem desconfia — com razão — da neutralidade.

Richard Howson e Jeff Hearn, Hegemony, Hegemonic Masculinity, and Beyond, in Routledge International Handbook of Masculinity Studies (2020). Uma revisão crítica do conceito de masculinidade hegemónica que sublinha a sua natureza relacional, a importância do exterior constitutivo e a articulação entre poder e legitimidade. Leitura útil para quem quer ir além da vulgata sobre masculinidade tóxica e compreender a hegemonia como estrutura, não como insulto.

Pierre Bourdieu, La domination masculine (1998). Bourdieu analisa como a dominação masculina se naturaliza através de esquemas de percepção incorporados, reproduzidos por instituições e práticas quotidianas. A violência simbólica — central nesta obra — actua precisamente por não se apresentar como violência, mas como evidência, consenso ou normalidade. Uma referência clássica que este caderno mobiliza pontualmente, mas cuja análise dos mecanismos de naturalização do poder permanece indispensável.


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from Kuir - cultura e inspiração Cuir

O Caderno 2, Que corpos contam? Cuirografia de masculinidade e poder, propõe uma cuirografia de masculinidade e poder — uma escrita cuir que interroga como a masculinidade hegemónica funciona não apenas como norma cultural, mas como regime material que produz, hierarquiza e descarta corpos. A partir de uma articulação entre a teoria das masculinidades, a interseccionalidade, o realismo agencial e as epistemologias feministas, o caderno percorre cinco textos que vão do estrutural ao encarnado: da fábrica que produz o “homem legítimo” aos corpos abjectos que a hegemonia precisa de criar, da igualdade formal portuguesa que deixa vidas cuir de fora ao testemunho situado de um corpo negro e cuir, até à pergunta onto-epistemológica sobre quem pode conhecer a discriminação e a partir de que posição. Este caderno nasce da reescrita política de um trabalho académico — não para o esconder, mas para o libertar da armadura institucional e o devolver ao lugar onde sempre quis estar: nas margens, onde o pensamento corta mais fundo.

Texto 1 — A fábrica da masculinidade

Como a masculinidade hegemónica produz os corpos que contam

A masculinidade hegemónica não descreve um tipo de homem — descreve uma máquina. Este texto abre o caderno com uma declaração de posição: a hegemonia masculina é um regime material que define que corpos contam, que vidas são reconhecidas e que identidades podem existir sem risco de violência.

A publicar brevemente…

Texto 2 — Os monstros da masculinidade

Que corpos abjectos precisa a hegemonia de criar?

A hegemonia não se limita a excluir — precisa de fabricar aquilo que exclui. Este texto analisa as masculinidades cuir — gays, bissexuais e trans — como fronteira constitutiva da masculinidade hegemónica, mostrando como a abjecção é condição de funcionamento e não efeito residual do sistema.

Texto 3 — Portugal, país de direitos (para alguns)

Quem fica de fora quando o Estado celebra a igualdade?

Portugal celebra-se como país de direitos LGBT+. Mas quem é que esses direitos realmente protegem? Este texto confronta a igualdade formal com a exclusão material que persiste nas vidas de pessoas trans migrantes, LGBT+ racializadas e não-binárias precárias.

Texto 4 — A pele negra e a máscara arco-íris

O que um corpo negro e cuir sabe sobre hegemonia e dissidência

A partir do testemunho de Anthony Vincent, este texto lê a intersecção entre racialização, performatividade cuir e violência simbólica num corpo que intensifica a sua dissidência como escudo contra a vigilância racial — e descobre que nenhum campo o reconhece inteiramente.

Texto 5 — Quem sabe o que dói?

O corpo que sabe e o poder que o produz

Quem produz conhecimento sobre discriminação? A partir de que corpo? Este texto fecha o caderno com uma interrogação onto-epistemológica, retomando Vincent como sujeito de um saber que a objectividade dominante não consegue ver — porque conhecer, aqui, é uma questão de carne e não de distância.

Texto 6 — Leituras

Bibliografia comentada do caderno, reunindo as referências mobilizadas ao longo da série e situando politicamente as filiações intelectuais que sustentam esta cuirografia.

 
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from 下川友

ネットで買った二千円の靴を履く。 自分に似合ってはいるが、二千円の靴ってなんだよと毎回思う。 似合ってるから良いけど。

電車は相変わらず何して良いのかわからないので、 他人にバレないようにストレッチをする。

「それ、メモしておいてよ」 といつか誰かに言ったことを思い出したが、その時の、言われた時の顔が 真顔よりも真顔だったので、それ以来言わないようにしている。

今日外に出たのは、昔からの友人に誘われたから。 昔の友達に会いにいくとき、家での準備の途中でふと呼吸を無意識的に確認する事がある。 吸って、吐いて、普通かどうかを確かめる。 特に理由はない。 別にそれで呼吸が乱れていた事はないから。

駅の乗り換えで、ハイビスカスのプリントが入ったパンツを履いた女性が、 「あっち行きたい」と彼氏に言っていた。 女性の指は、思ったよりまっすぐだった。 派手な柄の服を着ているのに、指だけが妙に正確な方向を示していた。 その指の角度が、妙に記憶に残っている。

乗り換えた先の電車で、子どもたちがショート動画を見ていた。 動画が終わる前に、隣の子どもがその動画の説明を全部してしまっていた。 教えている子は、「それも見た」と言った後、すぐに説明を始める。 説明されてる子は、特になんでもない顔をしていた。

歩いていたら交番があった。 警官が退屈そうに立っている。

交番の先にカッパ寿司が見えた。 もし河童が交番に入っていったら、警察官はすぐに上司へ報告しないと思う。 たぶん一時間くらいは、自分だけで何とかしようとする。 報告する前に、河童と一対一で向き合うだろう。 俺ならそうする。

通販で買ったものが届く日ほど、夜の空を見ても、まだ夕方だと思う。 夕方だと判断する範囲が、いつもより広い。 それがたとえ19時だとしても、通販で買った箱を開けてから、それを楽しむ時間を体感で感じようとすると、まだ夕方な気がする。 とはいえ帰りは22時で、もう完全に夜だった。 夕方の範囲は、さすがに終わっていた。 今日は箱は開けずに、明日帰って元気だったら開けると思う。

 
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from Roscoe's Quick Notes

So, early this morning, time, in my little corner of the world “sprung forward” by one hour. This happens every year here to offset the time change that happens six months away from now, in the past and in the future, when time “falls back” one hour.

My own internal, biological clock usually adjusts easily to these time changes. But it remains to be seen how those services with which I interact on a daily basis, those services based in places that don't change time every six months, will coordinate with me and my newly changed schedule. There's always some unexpected changes there, and it's always frustrating. Oh well...

The adventure does continue.

 
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from Faucet Repair

3 March 2026

Found a £5 National Lottery “£500 Loaded” scratchcard on the ground near Wood Green station (not a winner; apparently the odds are around 1 in 1,400 to win the full £500, meaning you'd have to spend over £7k on scratchcards for a statistical guarantee). Those things are like mini paintings, the topmost layer clawed away to reveal the information hidden underneath. Which is why I picked it up—it's a potent feeling to find and hold such a clear recording of a stranger's touch in your hands. The rhythm of the diagonal scratch marks (this person was probably right-handed) held the urgent speed of them. Spooked me a little, honestly. The palpable charge of hope turning to disappointment. And yet there was something undeniably alive about it. It had been addressed with someone's undivided attention at one point. Going to see if I can make a drawing with one.

 
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from witness.circuit

A short chapter in the spirit of the Yoga Vasistha

Rama said:

O Sage, your words have entered my heart. When a thought arises, I see now that it is not “mine.” Yet a subtler wonder has appeared: Each thought seems to contain the whole universe within it. Show me how to contemplate this rightly.

Vasistha replied:

O Rama, excellent is this inquiry.

A single spark appears in the night sky. The ignorant say, “A star.” The wise see hydrogen, gravity, ancient explosions, the slow patience of space itself.

So too, when a thought appears in your mind, do not stop at its surface.

Expand it.


The Practice of Expansion

When a thought arises—any thought— pause and inquire:

What gave birth to this?

If it is a memory, see the childhood that shaped it, the parents who spoke certain words, the teachers who planted ideas.

If it is a preference, see the culture that trained your tastes, the countless meals, images, and conversations that tuned your nervous system.

If it is a fear, see evolution whispering through your cells, ancestors surviving winters and predators, biology defending fragile life.

Do not analyze endlessly. Simply feel the vast network implied.

The single thought begins to dissolve into immeasurable causation.


Expanding Events

When something “happens” to you, expand it outward as well.

A praise from a colleague— see the company, the market forces, the economy, the centuries of invention that made this moment possible.

A pain in the body— see the food eaten, the soil that grew it, the sun that nourished the soil, the cosmic furnace that ignited the sun.

Follow the thread far enough, and it leads to the birth of galaxies.

Where then is the separate event?


The Fruit of Expansion

As you expand each thought or occurrence outward, two illusions fade:

  1. The illusion of isolation.

  2. The illusion of ownership.

The thought cannot belong to you when it belongs equally to the totality.

The event cannot be “against” you when it is an expression of the same Whole that breathes your lungs.

Expansion reveals interbeing.

And in interbeing, the ego finds no foothold.


The Final Contemplation

Sit quietly.

Let a single thought arise.

Now, instead of contracting around it, imagine it radiating outward— threads extending in all directions, touching people, histories, climates, stars.

See it as a node in an infinite web.

Then ask gently:

Where does this web end? Where do I stand apart from it?

In this seeing, Rama, the sense of “I am the author” melts into awe.

What remains is participation without possession— movement without a mover— intelligence without a center.

The universe thinking itself through this temporary configuration.

Vasistha said:

Expand the spark until it becomes the sun. Expand the thought until it becomes the cosmos. Then rest—not as the thinker— but as the boundless field in which all thinking appears.

 
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from Rippple's Blog

Stay entertained thanks to our Weekly Tracker giving you next week's Anticipated Movies & Shows, Most Watched & Returning Favorites, and Shows Changes & Popular Trailers.

Anticipated Movies

Anticipated Shows

Returing Favorites

Most Watched Movies this Week

Most Watched Shows this Week


Hi, I'm Kevin 👋. I make apps and I love watching movies and TV shows. If you like what I'm doing, you can buy one of my apps, download and subscribe to Rippple for Trakt or just buy me a ko-fi ☕️.


 
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from Atmósferas

Desde que supe de la guerra, estoy de luto.

Llevo este luto porque hay quienes dicen amar la vida, pero dan la espalda a los muertos si son ajenos, piensan que a los heridos les ponen agua oxigenada y los mandan a casa a cenar tranquilos viendo la televisión desde el sofá.

Por eso estoy de luto, por las almas muertas de los indolentes.

 
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from Today I tell you ...

Nasa kama lang 05:01 pm, Linggo


Usapang pag-ibig na naman, may mai-share lang dito.

Hanggang ngayon, hindi pa ako nagkakaroon ng committed relationship. NBSB kumbaga. May nakausap naman, talking stage, getting to know each other thing ganun, pero hanggang doon lang nag-work. May muntik na, pero natigil din kasi ang kalaban pamilya at ang relihiyon niya.

Dati, mas dama ko 'yong passion saka eager kapag may gustong makilala ka. Doon ko naramdaman na ayos lang naman magpaka-baduy kapag nagmamahal ka haha! Kaya gets ko na 'yong iba na kahit sa simpleng pagsubo lang ng isang kutsarang kanin, 'yong mga pa-bouquet tuwing monthsary, anniv, etc., mga pag-dedicate ng kanta kahit pa 'yong Buko ni Jireh Lim ay kinikilig na na parang mga inasinang bulate. Eh kung sa kabaduyan ka nakakaramdan ng totoong pagmamahal eh bakit hindi ano? Bakit ka “mandidiri” sa mga gano'n.

Pero ngayon 'yong dating scene, nakakalito na. Siguro kasi tumatanda na rin ako at karamihan na talaga ng mga ka-edaran ko eh nasa stage na ng pagbuo ng mga pamilya nila. Bibihira na lang din ako makatagpo ng mga ka-edad ko na single pa rin hanggang ngayon. Kaya rin siguro na halos mga mas bata na ang mga lumalapit ngayon sa akin.

Nalilito talaga ako sa kung paano mag-express ng love at desire mga kabataan ngayon. Ang daming terms jusko! May love bombing, breadcrumbing, slow burn, at sa totoo lang lahat ng mga 'yan ang tagal ko pa ma-gets. Na para bang “huh??? ano pinagkaiba nito sa rito??? ha? haaaahhh?????” Dagdag mo pa impluwensiya ng social media (lalo na 'yang TikTok). Sobrang idealistic na ng dating/relationship expectation dahil diyan. Dapat ganito, dapat ganiyan, hiwalayan mo na kaagad kapag ganito ganyan ahh!

Kaya rin siguro ako, mas prefer ko talaga at mas gugustuhin ko pa talaga na direkta ang isang tao. Alam niya sa sarili niya ang intensyon niya sa akin. Walang paligoy-ligoy kumbaga. Oo, magkaibigan muna sa simula pero sana consistent ano? Lalo pa ngayon na uso ang cheating.

Pasensya na sa mga kaibigan ko na sinasabihan ko at pinagtatanungan ko kung nagpapahiwatig na ba 'to si ganyan kasi parang iba na kasi sa totoo lang ayaw ko talagang nag-a-assume. Binabawas-bawasan ko na. Kaya siguro may “toxic trait” lang yata ako na parang ipinagtatabuyan ko ang isang tao pero sa totoo lang, nangte-test lang ako kung seryoso ba talaga 'yon sa mga ipinaparamdam at ipinapakita niya sa akin. Ayaw ko lang talaga na mag-invest sa isang taong hindi sigurado at sa umpisa lang magaling. Matanda na ako, nakakapagod nang makipaglaro ng taguan, patintero, at habulan.

Pero sa totoo lang, ang sarap mag-Baguio ngayon. Kagabi nga kakakain lang namin ng ice cream nila ate, mama, at pamangkin ko at ang sarap! Ang sarap mag-ice cream at mag-Baguio lalo pa ngayon na hindi pa peak season doon.

 
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from An Open Letter

N Said something that pissed me off in our group chat, and so I messaged L About it and we just kept talking in the conversation shifted and we ended up calling, and we called for like almost 2 hours lol. I’ve been just walking around my downstairs island this whole time, and we talked about deciding on a PhD and how different the world is after college, and how much Stress there was for stuff that really didn’t matter. it was honestly really nice because he was in a very similar situation to what I was in, so I felt like I was able to give some pretty good advice or at least explain how things went for me. And also I guess I kind of realize how things feel good. I’ve spent a lot of time with friends remotely today, and it’s to the point where spending some time alone actually feels like a treat sometimes. I think after the breakup I was very worried about that, because the crushing loneliness absolutely is miserable. But I think if I keep my life filled through all of these different means, yes it’s a little bit less intense and I do miss certain things that you can only really have in a relationship, but my life overall feels richer. I think this is the healthier version for life, and it’s much more stable. And I think once in a while I do have these pangs of missing certain things from a relationship, like sex, or those cringe things you can do as a couple. But at the same time it’s not nearly enough to heavily sit in my mind which is really nice. It’s also nice because I don’t feel like I’m hyper focusing on how to make myself a more desirable partner, but rather just how to fill up a life more for myself. And I think dating is almost shifting in my mind into something where I’m in a position of power, in wanting to find out or understand more about the other person, and if they are someone that I would want to spend my life with. Before I mostly viewed it I think as an interview where I really wanted to be chosen. But I think dating apps and other things really skewed that for me, and I’m very grateful and excited honestly to view things in this lens.

 
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from Attention Span Therapy

fragment of a journal entry from god knows when...

...It is Two AM here in Colorado and I have just come from a disappointingly dense and strange family reunion, that when compared with what I have formerly known about family reunions on my mother's side was what an isolated abandoned college freshman dorm meal is to a fully laid home cooked table with the most valuable people in the world. There were no games, no organized activities. We ate in the groups we had arrived with, in the large and nearly vacant commuter college cafeteria. The food was furnished by Sodexo, who my brother was familiar with from his years in the food business and concert promotion.

“They do a lot of prisons, and colleges, for that same reason. They run everything. From the food carts to the cafeterias to the vending machines.”

I remembered a company like that. When myself and my ex-wife traveled to the Grand Canyon for the last appending comma of our distinctly unimpressive honeymoon. The company in that instance was called Xantara and they owned everything on the South Rim of one of our most spectacular holes.

It seems fully insulting in my opinion, not just that they had build this gaudy, garish tourist outpost at one of the many and certainly one of the more beautiful works of majestic mother nature in that lovely, unique part of our great country...

 
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from Dallineation

Today I watched “Francis of Assisi” – a 1961 film about the story of Saint Francis. I managed to find a free low-resolution version the film on YouTube. It was difficult to get into because it was very dated “Hollywood” in its style and acting, but when I started thinking of it as more of a grandiose stage play, it became easier to watch in that context.

I came away from it with a greater appreciation for St. Francis. But I also saw in the YouTube comments on the video that Dolores Hart, the actress who played Clare, became a Catholic nun two years after the film's initial release.

I also discovered a short documentary about Hart called “God is the Bigger Elvis” (a reference to her co-starring with Elvis Presley in the film “Loving You”) and I also found and watched it on YouTube. What a neat woman and beautiful story.

While my church doesn't have monastic orders like nuns or monks, I've long had a profound respect for people who choose to live such a life consecrated to God.

I've sometimes thought about what it would be for me to live in such a way. I've often felt like forsaking all my worldly possessions and living a life of poverty and devotion to God.

Catholics have this concept of a “Vocation” – entry into the priesthood or a religious order like nuns or monks

In modern society, the word vocation has become another word for career. But I have always felt that a vocation is more than just a career. It can be a career, of course. But I happen to have found my way into my current career mostly out of expediency, not because it's something I have ever felt I was meant or drawn to do.

A vocation is something one feels a strong desire to do – a calling to do. And I have long been trying to figure out what my vocation is.

Today an idea resurfaced that I have considered many times over the past six months or so:

Maybe I could be a chaplain.

A neighbor of mine and member of my ward has been studying to become a chaplain and she has spoken about it in church. I had never considered being a chaplain before, but as I have thought about it, I feel it's something I would find deeply meaningful and fulfilling.

It's also something that would be extremely difficult and I would need to be well-anchored in my faith, as well as avail myself of a therapist and other means of coping with the difficult and sometimes horrible circumstances and situations I would be exposed to in such a vocation.

My church has a web page with information about being a chaplain and I have reviewed much of the material there. I have always thought of chaplains being for the military, but they are in a lot of different places, from hospitals, to prisons, even universities. There is still much I don't know. But I'd like to learn more.

Whatever my vocation, I want to be able to help people. To give them hope. To help them to know they are loved.

Maybe going through this time of spiritual distress and searching has been necessary so that I can empathize with and relate to and minister to others experiencing the same.

#100DaysToOffload (No. 148) #faith #Lent

 
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